Certa noite uma mulher não voltou para casa...
No dia seguinte, ela disse ao marido que tinha dormido na casa de uma amiga.
Desconfiado, o homem telefonou para as 10 melhores amigas da mulher, e... Nenhuma sabia de nada...
Moral da História: Ô RAÇA DESUNIDA...
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Certa noite um homem não voltou para casa...
No dia seguinte, ele disse a esposa que tinha dormido na casa de um amigo.
Desconfiada, a mulher telefonou para os 10 melhores amigos do marido e... Oito deles confirmaram que ele tinha passado a noite na casa deles e dois disseram que ele ainda estava lá!!!!
Moral da História: Ô RAÇA F.D.P !!!
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Diferenças #4
domingo, 19 de abril de 2009
Ronaldo marca, Timão vence o Tricolor, e Paulistão terá final inédita
O Corinthians está na final do Paulistão 2009. Em uma ótima atuação no segundo tempo, o Timão atropelou o São Paulo, fez 2 a 0, em apenas dois minutos, e vai decidir o título contra o Santos, que desbancou o Palmeiras. Ronaldo participou dos dois gols. No segundo, balançou as redes em uma arrancada típica de Fenômeno.
Pela primeira vez, Santos e Corinthians farão uma final de Paulistão. As duas equipes já disputaram o título estadual - a última foi em 1984 - mas sempre em campeonatos de pontos corridos, quando chegaram à última rodada brigando pela taça. Final mesmo, será a primeira. O Timão, por ter melhor campanha, joga por dois empates. Os dois confrontos serão dos dois próximos domingos, os locais serão definidos nesta segunda-feira, em reunião da Federação Paulista de Futebol.
O Jogo
O muro tricolor começou a ruir. Aos 10, uma jogada rápida e mortal. Douglas pegou o rebote no campo de defesa corintiano e jogou para Ronaldo, que prontamente acertou boa virada de jogo para Jorge Henrique. O atacante chutou forte e acetou a trave. No rebote, Douglas, que vinha acompanhando a jogada, apenas empurrou para as redes.
Atordoado, o São Paulo viu o adversário ampliar logo em seguida. Cristian acertou um lindo lançamento para Ronaldo, que ganhou na corrida de Rodrigo, numa arrancada típica de Fenômeno, e tocou na saída de Bosco. Lembrou o Ronaldo dos tempos de Barcelona.
O São Paulo, depois do segundo gol, desistiu do jogo. Tentou se lançar para o ataque, mas sem acertar passes. Já o Corinthians, teve espaço para marcar mais, só que abusou ao tentar ficar trocando passes dentro da área adversária.Aos 38, Rodrigo acertou carrinho em Dentinho e, como já havia sido advertido com o cartão amarelo, acabou levando o vermelho.
Gols
E assim, o Timão avança para a final, onde vai enfrentar o Santos. Pra cima Timão!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
47 minutos e 42 segundos
terça-feira, 7 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
Tabela de Graduação de Macho
1 - Esportes
a.. Futebol, automobilismo, esportes radicais > MACHO
b.. Tênis, boliche, voleibol > TENDÊNCIAS GAYS
c.. Aeróbica, spinning > GAY
d.. Patinação no Gelo, Ginástica Olímpica > BICHONA
e.. Os mesmos anteriores, usando short de lycra > LOUCA
2 - Comidas
a.. Capivara, javali, comida muito apimentada > CONAN
b.. Churrasco, Massas, Frituras > MACHO
c.. Peixe e salada > FRESCO
d.. Sanduíches integrais > GAY
e.. Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor > BICHA ASSUMIDA
3 - Bebidas
a.. Cachaça, cerveja, whisky > MACHO
b.. Vinho, vodka > HOMEM
c.. Caipifruta > GAY
d.. Suco de frutas normais e licores doces > MUITO GAY
e.. Suco de açaí, carambola, cupuaçu, com adoçante > PERDIDAMENTE GAY
4 - Higiene
a.. Toma banho rápido, usa sabão em barra > LEGIONÁRIO
b.. Toma banho rápido, usa xampu e esquece das orelhas ou do pescoço > MACHO
c.. Toma banho sem pressa, curte a água e soca umazinha > HOMEM
d.. Demora mais de meia hora e usa sabonete líquido > TENDÊNCIAS GAYS SÉRIAS
e.. Toma banho com sais e espuma na banheira > VIADAÇO ASSUMIDO
5 - Cerveja
a.. Gelada e em grandes quantidades > MACHO
b.. Só cervejas extra, premium e importadas > HOMEM FINO DEMAIS
c.. Só uma às vezes para matar a sede > BICHICE SOB CONTROLE
d.. Com limão e guardanapo em volta do copo > BICHA
e.. Sem álcool > GAZELA SALTITANTE
6 - Presentes que gosta de ganhar
a.. Ferramentas > OGRO
b.. Garrafa de whisky > MACHO
c.. Eletrônicos, informática > HOMEM MODERNO
d.. Roupas > VIADO
e.. Flores, velas aromáticas, perfumes, bombons > DONZELA VIRGEM
7 - Cremes
a.. Só pasta de dentes > MACHO
b... Protetor solar só na praia e piscina > HOMEM MODERNO
c.. Usa cremes no verão > BICHA FRESCA
d.. Usa cremes o ano todo > BICHONA TOTAL
e.. Não vive sem hidratante > FILA DE ESPERA DA OPERAÇÃO PRA TROCA DE SEXO
8 - Animais de estimação
a.. Animal de quê? > MACHO
b.. Tem um vira-lata que come restos da comida > HOMEM
C.. Tem cão de raça que vive dentro de casa e come ração especial > BICHA
c.. O cão de raça dorme na sua própria cama > BICHONA TOTAL
e.. Prefere gatos > TOTALMENTE PASSIVA
9 - Plantas
a.. Nem pra comer > TROGLODITA
b.. Come algumas de vez em quando > RAMBO
c.. Tem umas no quintal, nem são regadas > HOMEM
d.. Tem plantinhas na varanda do apartamento > VIADO
e.. Rega, poda e conversa com as flores do jardim > BICHONA PERDIDA
10 - Espelho
a.. Não usa > VIKING
b.. Usa para fazer barba > MACHO
c.. Admira sua pele e observa seus músculos > GAY
d.. Idem c, e ainda analisa a bunda > LOUCA
e.. Admira-se com diferentes camisas e penteados > TRAVECO
11 - Penteado
a.. Não se penteia > MACHO
b.. Só se penteia pra sair à noite > HOMEM
c.. Se penteia várias vezes ao dia > FRESCO
d.. Pinta o cabelo > BICHONA TOTAL
e.. Dá conselhos de penteados > BICHAÇA LOUCA
12 - Limpeza da casa
a.. Varre quando a sujeira estala na sola do pé > ANIMAL
b.. Varre quando o pó cobre o chão > MACHO
c.. Varre uma vez por semana > FRESCO
d.. Limpa com água, detergente e aromatizante > GAYZAÇO
e.. Usa espanador de pó e tem um avental > É A ESPOSA DO ESPANADOR
13 - Filmes
a.. Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo, Brinquedo Assassino, Laranja Mecânica, Pânico > MAD MAX
b.. Indiana Jones; filmes de Charles Bronson, Chuck Norris e Bruce Lee, > MACHO
c.. Os Trapalhões, Loucademia de Polícia, Um Tira da Pesada > FRESCO
d.. Forrest Gump, A Lagoa Azul; filmes de Richard Gere, Leonardo di Caprio e Julia Roberts > BICHONA
e.. Super Xuxa contra o Baixo-Astral, Eliana e o Segredo dos Golfinhos > GAZELA
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Três peças escolhidas - Eduardo Campos
Três peças escolhidas
O livro Três Peças Escolhidas, do cronista e romancista Eduardo Campos, reúne as peças Rosa do Lagamar, Morro do Ouro e A Donzela Desprezada. As duas primeiras foram dos maiores sucessos da Comédia Cearense, com prêmios em festivais pelo Brasil e temporadas em cartaz. Escritas em meados da década de 60, quando a cidade de Fortaleza começava a se expandir em bairros cada vez mais distantes e precários, elas continuam atuais, ao trazerem à cena dramática a questão da inclusão/exclusão social.
O estilo de Eduardo Campos é resultante de dois elementos formadores: de um lado, as aptidões artísticas nascidas do seu temperamento, de sua personalidade interior; de outro lado, as influências das idéias estéticas vigorantes na época e no meio em que ele manifestou e permaneceu.
Pelo seu regionalismo, podemos aproximá-lo de Graciliano Ramos e Raquel de Queiroz, e por ter utilizado o elemento chuva em sua obra À véspera do Dilúvio (1966), aproxima-se de Antonio Sales.
Tem preferência pela descrição, pois, conscientemente, sabe que ela possui um apelo sensorial que permite ao observador delinear os elementos apresentados aos poucos, isto é, lentamente pela narrativa.
Essa preferência é importante porque a apresentação dos seus personagens é feita mostrando-os em ação. E, aos poucos, vai compondo o perfil dos caracteres psicossomáticos que os organizaram. Com exemplo, podemos citar, o tipo do agente ferroviário, o cangaceiro ou o delegado.
Eduardo Campos utiliza-se do discurso indireto livre que serve para expressar a fala ou o pensamento das personagens e que tem sido muito usado pelos autores contemporâneo através do narrador.
Quanto aos temas utilizados, que parecem sempre atuais, são frutos do homem contemporâneo que vive angustiado por descobrir o estado de abandono completo em que se encontra, mesmo em relação a seus semelhantes. Daí só lhe restar ironizar a própria sorte.
Em suas peças, procura denunciar, pela ficção, as injustiças sociais a que os personagens estão submetidos. A exposição delas é feita de tal modo que os expectadores não podem permanecer impassíveis. Antes ficam revoltados contra essas injustiças. Ao mesmo tempo são alertados para as táticas utilizadas pelos agentes do poder.
A solidariedade dá o tom aos protagonistas de Eduardo Campos, nestas três peças, onde há também uma denúncia de injustiça por parte do poder que nada faz para minimizar a situação de desamparo das populações desprivilegiadas, mas, ao contrário, procura alimentar-se desse estado de miséria para fortalecer-se.
O Morro do Ouro
Lá para os lados da Barra do Ceará fica o lugar conhecido desde os anos 50 como Morro do Ouro. Era uma comunidade pobre que surgiu em torno do aterro da cidade de Fortaleza, muito tempo antes do Jangurussu. Este é o cenário da peça que leva o mesmo nome, que tem como protagonista a prostituta Madalena e seu amante, o traficante do morro, Zé Valentão. É assim que ela é conhecida na zona. É uma mulher que veio do interior e, por não ter nenhuma qualificação, só encontrou um caminho para viver: prostituindo-se.
Os personagens que compõem a peça vão aparecendo, bem caracterizados. São eles: Ezequiel, cambista, vive do jogo do bicho, é bem humorado e tem sempre uma palavra para se sair das enroscadas, um jeito de rebater a quem lhe destrata; o Aleijado, que pede esmola e que se recusa a ir para um asilo do governo, porque, lá, não pode pedir esmolas, uma irônica, sarcástica e caricatural. É mais um personagem que compõe um conjunto de necessitados; o bodegueiro Patrício, as assistentes sociais, um candidato a vereador - dr. Gervásio, entre outros.
O drama retrata o conflito de Madalena com a chegada da mãe, beata, católica fervorosa e devota de Padre Cícero. Ela não quer que a mãe a identifique como prostituta da zona.
A história então começa com Madalena e Zé Valentão na cama, depois de uma noite de folia. O amante escapole antes que a polícia venha. É de manhã, e logo a favela fica animada com a chegada de uma máquina de costura, entregue ali por ordem do candidato.
Quem também chega são algumas assistentes sociais, e nestas cenas o autor põe à mostra o proselitismo oco, de um lado, e o tal espírito moleque do povão - picaresco e por isso tão escancaradamente verdadeiro, real. "Veja que estou aqui, saindo do meu conforto, para cuidar de vocês. (Olhando ao derredor). Que rua horrível! (Pausa). E esse mau cheiro? É sempre assim?", pergunta a assistente social. A lavadeira, trouxa na cabeça, responde: "Não, não sinto não... Será esta catinguinha? É do lixo! Todo o lixo da cidade é botado na rua". O tensão da peça começa com a chegada de dona Elvira, mãe de Madalena, que vem do interior e nem desconfia da vida que a filha leva. Com a ajuda dos amigos, ela disfarça suas "atividades".
Depois que sua mãe chega, tudo se modifica, porque, sendo devota, vai impor seu ritmo de vida aos demais moradores, e tais moradores modificam-se, realmente.
Logo, dona Elvira inventa uma novena em plena zona do cabaré, que consegue reunir todos os moradores. Mas ela não sabe que sua filha é prostituta, nem que o local onde mora é um cabaré. A sua inocência acaba contagiando os moradores.
A partir da preparação da novena, os moradores vão percebendo que a mudança é benéfica para eles. Assim, o bodegueiro, que só vendia cachaça, passa a vender refresco; o cambista (´Ezequiel´, cujo apelido é ´seu Fortuna´), em vez de fazer as pules do jogo, vende medalhas de santos, etc. Há, portanto, uma grande transformação no morro, e a personagem ´Elvira´, mãe de ´Madalena´, passa a ser a personagem mais importante, a protagonista, pelo menos durante os preparativos da novena.
A escolha do nome para a protagonista, Madalena, é uma referência bíblica, a amiga de Jesus, que se arrepende dos pecados e que passa a seguir os ensinamentos do Filho do Deus.
Os personagens estão juntos pela mesma condição de miserabilidade da favela, do lixão (como se diz hoje): a favela é chamada ´O Morro do Ouro´ por ironia, pois lá é despejado o lixo da cidade. Portanto, são personagens que vivem abaixo da linha da pobreza. É uma zona de risco, como se diz hoje.
Tais personagens, apesar da miserabilidade, estão unidos pela solidariedade. Mesmo com as brigas e com as desavenças que ocorrem, eles se ajudam, afinal estão todos num mesmo miserável espaço, daí o despertar da ajuda mútua ser quase instintivo.
As assistentes sociais, que para lá se deslocam, para ´estudar´ a vida dos miseráveis, são caricaturais, e o que elas fazem, anotando o cotidiano dos favelados em suas cadernetas de campo é motivo de riso.
Outro personagem caricatural é o político, ´Dr. Gervásio´, que é apresentado distribuindo máquinas de costurar, para trocar por votos. É malandro, desonesto, sem escrúpulos; há a sugestão de que ele só possui uma máquina, e que ele faz todo o jogo de enganação, dizendo que já distribuiu centenas delas, e que, quando for eleito, irá morar no Morro do Ouro, para ver como vive a pobreza: um discurso, portanto, demagógico, enganador e oportunista, que se vale da miserabilidade dos moradores da favela para deles tirar proveito.
Há um momento em que tudo muda, e em que se percebe um pequeno questionamento da protagonista.
Quando Zé Valentão sai da cadeia e procura Madalena, e vê que tudo está mudado, inclusive a própria Madalena, que, agora, usa vestidos de manga, comporta-se como uma senhora, ele não entende o que está ocorrendo e cobra de Madalena a antiga postura, o que ela revida dizendo que é outra, que vai mudar de vida, mas o namorado diz que ela é a ´quenga´ dele e que deve ir dizer isso para todo mundo.
É aqui o final e a parte mais tensa da peça. Madalena, por um instante, não sabe onde está a verdade dela: se é prostituta ou se é beata. O que decide o seu dilema é a grosseria de Zé Valentão, que rasga seu vestido, e Madalena, desamparada, corre para a rua e vai se abraçar com a mãe. É aqui que a peça termina.
Há, portanto, um final regenerador: é a Madalena arrependida da Bíblia.
A mensagem desta peça de Eduardo Campos está muito clara na transformação de todos os personagens.
É uma peça mais linear, de poucos questionamentos, mas extremamente realista, que representa muito bem todo o sofrimento da parcela excluída da sociedade.
Portanto, em Morro do Ouro, há a descrição da vida em uma favela de Fortaleza. Os personagens são representantes de um universo que reflete a conseqüências da miséria e do isolamento. A estes junta-se a ironia, que, por paradoxo, cria cenas de humor.
Essas cenas são percebidas por ocasião da visita das assistentes sociais, já citada, que vão ao morro fazer uma pesquisa e se escandalizam com a situação de pobreza e acham que está decore da falta de educação. Na realidade, o autor denuncia, através dessa peça, que os poderosos não têm a intenção de resolver os problemas, e muitos até se beneficiam com essa situação.
A Rosa do Lagamar
Em A Rosa do Lagamar, temos outra vez a presença de mulheres determinadas, fortes, que aprenderam a se virar sozinhas, e romperam os limites sexistas da moral e dos bons costumes sem discurso nem alarde. Como continuam a fazer, ainda agora. Rosa é uma batalhadora. Ela saiu do Lagamar e comprou um terreninho na Aldeota, onde montou uma birosca que serve café e refeições para os trabalhadores de uma obra em construção. O dono do casarão quer o terreno de Rosa, ela não vende. Mas acaba perdendo tudo, porque o documento que tem é falso. Na hora do despejo, Rosa pede para contar as telhas e caibros de sua casa, pela última vez. "São vinte e dois caibros e 72 telhas. Só depois que eu conto é que durmo. É um velho hábito de solidão".
A casa de Rosa estava situada, por um desses descuidos da administração municipal, em local onde, de futuro, se edificaria uma rua. Daquela, vê-se a sala da frente, que é a de uma tapera sem maiores pretensões, guarnecida de móveis rústicos, improvisados. À esquerda, além de parede divisória, avançava para a rua uma puxada a abrigar o recinto que servia de café e restaurante aos trabalhadores de construções do bairro que, embora o mais elegante da cidade, oferecia por vezes visível desigualdade de existência entre os seus habitantes. Adiante, na mesma linha de visão, uma pilha de tijolos e, de permeio a estes, material facilmente identificado como sendo de construção. À frente da casa e do lado direito nota-se, no desenrolar da ação, o trânsito de pessoas, como se de fato ali já se insinuasse uma rua. Na sala da frente da casa de Rosa, que é a dona da tapera e do café ao lado, tudo se assentando caprichosamente, demonstrando pulso forte, e também zelo, de mulher voluntariosa. Numa das paredes vê-se o retrato do marido, o capitão Crispim, que, saindo de Fortaleza como embarcadiço, nunca mais voltou ao lugar. Seu regresso, posto sempre em perspectiva, é um motivo de encanto e ao mesmo tempo de turbulência na vida de Rosa.
É madrugadinha quando se inicia a ação. Na semi-escuridão que ainda faz, destaca-se a figura de Rosa às voltas com os seus afazeres domésticos. Há um ir e vir no interior da casa, passando pela porta que dá acesso ao local do café, a conduzir xícaras, bandejas e confeitos que, é a impressão, prepara naquela ocasião.
A Donzela Desprezada
A Donzela Desprezada é a história de Amelinha, uma moça sonhadora, filha da viúva zeladora da igreja, que transa com o namorado, motorista do caminhão da entrega do gás. Ela é a candidata do partido azul, na quermesse da igreja. Quando a mãe descobre que a filha "se perdeu", fica maluca. Com a ajuda de um jornalista sensacionalista e um policial corrupto, ela convence a filha a dar parte do namorado ao delegado, para forçar o casamento. O motivo pode ter ficado, e ficou, anacrônico, mas a peça não: é arte. A capa do livro traz um óleo sobre tela do artista plástico Nogueira, Casamento no Arraial, bem de acordo com o colorido universo popular de Manelito Eduardo (como o dramaturgo também é conhecido).
O cenário amplo revela os diversos locais em que se desenrolam as cenas.
À esquerda, o quarto de Amelinha, personagem principal da história. Cômodo, modesto, com cama, da qual se verá apenas o essencial, afim de que haja espaço suficiente para as posteriores marcações solicitadas.
Defronte ao espectador, tomando boa porção do palco, o sítio propriamente dito da quermesse, com um bar de três mesas de ferro e cadeiras. Ao lado direito a barraca ou quarto da cartomante, onde Lolita faz a leitura do baralho. Há cerca improvisada partindo do canto esquerdo do bar, a se estender até o proscênio, e, nela, o portão de acesso para a quermesse. Quando corre o pano, Lolita está sentada a uma mesinha entretida com o baralho, deitando-lhe as cartas em cruz. O bar, soturno, não começou a operar mas transcorrem preparativos para a noitada. Soam as seis horas da tarde. O quarto de Amelinha segue no escuro, mas distinguida aí a sua presença. Está sentada na cama, de combinação, e metida em visível prostração. De momento a momento ergue as mãos à cabeça, como se quisesse segurá-la, enquanto os seus movimentos não disfarçam o desespero que a acode.
No outro lado do palco, após instante, Lolita levanta-se. A uma espécie de armário de vidro vai apanhar um vidro de remédio. Serve-se em colher de sopa. Nauseada, treme. Treme e tosse. E cessa de tossir quando bebe a segunda dose. Nessa hora desce até a mesinha, onde estava, e retoma o trato das cartas. De repente a luz do quarto de Amelinha... é estabelecida por Valdelice, que, do interior, veio verificar a razão do silêncio.
UFC 2009






